RSS

PM na USP, mídia e a minha família – não só.

28 out

Há de se fazer uma pequena nota sobre os ocorridos de hoje na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, a querida FFLCH. Não só pela confusão, mas pelo burburinho superficial e medíocre que a mídia faz de tudo que acontece lá dentro.

Minha família, alvo direto dos canais televisivos, vê a enxurrada de notícias que se privilegiam de imagens mal editados para atacar os estudantes que apenas exercem seus direitos como tal. A começar pela quantidade de matérias que tinham como título principal: “Estudantes barram PMs na USP e impedem detenção de universitários que fumavam maconha“. Aos desavisados, os estudantes não só tinham como objetivo barrar a detenção, mas a entrada e o abuso dos militares que embebecidos de poder, invadiram a faculdade para fazer de lá um palco de guerra. Militares, diga-se de passagem, sem os nomes colados aos seus coletes. O que é isso?

Alguns dirão que é o certo mesmo, maconheiro tem tudo que apanhar. Pois bem, mas não foi aí que o dia começou. Não se vê notícias das mulheres que tiveram suas bolsas revistadas ao sair da Boblioteca Florestan Fernandes, também na FFLCH. Pelo que fiquei sabendo, eram três pessoas que faziam parte do corpo docente da faculdade de letras, perigosas. Ou a mídia deu aqueles vinte e cinco segundos para a polícia justificar real o motivo para que o aluno da ECA fosse revistado por “olhar feio”? Se o problema são as drogas ou a FFLCH, como personificação do estudante marginalizado da USP, digam aos oficiais para baterem nas festas caríssimas promovidas pela FEA, Vet, Poli, EACH só para dizer o que acharão por lá. A USP não se resume aos humanos que ficam pelo vão do prédio de Geografia/história. Seriam os usuários de droga, a FFLCH ou algum jogo político para que, simplesmente do nada, numa quinta a noite, o espaço entre os prédios da Sociais e da História/Geografia fossem tomados de assalto? Sem contar, é claro, os Mackenzies e outras faculdades que, assim como a FFLCH, também tem lá seus menininhos arruaceiros. Opa, espera lá, a gente não tem dinheiro, chama a polícia!

Sinceramente, se precisarem saber o que acontece lá dentro, pergunte para quem estuda e passa todos os dias entre os prédios e as aulas. Não acreditem em programas jornalísticos tendenciosos ou discursos policiais do tipo “‎nós temos um contato muito bom com a comunidade USP“, pois se querem saber, desde quando o FEAno morreu, eu não vi um fardado sequer protegendo alguém de coisa alguma, no máximo, fazendo blitz para revistar negro pobre. A USP precisa de mais investimentos em segurança e, infelizmente, não é com a polícia que isso vai acontecer, já que ela não garante a estabilidade nem fora do Campus. Talvez se a preocupação fosse uma melhor preparação dos guardas universitários, aumento na iluminação, maior quantidade de circulares e afins, as coisas poderiam mudar. Enquanto continuar essa política infeliz de opressão, não haverá diálogo e, muito menos, algum ato realmente benéfico e a mídia continuará a se valer dos maconheiros alheios para mostrar como o trabalho da polícia é “bem feito”.

Fora PM!

@brunnor_drigues

 
2 Comments

Publicado por em 28 28UTC outubro 28UTC 2011 em Ponto de VIsta

 

Tags: , , , , , , , , , , , , , ,

2 respostas para PM na USP, mídia e a minha família – não só.

  1. Stelle Goso

    30 30UTC outubro 30UTC 2011 at 8:49

    Alô, Verena!
    Postagem necessária. A PM está para reprimir os estudantes. FORA PM!

     

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

You are commenting using your Twitter account. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

You are commenting using your Facebook account. Sair / Alterar )

Connecting to %s

 
Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.

Join 48 other followers